sexta-feira, 26 de novembro de 2004

Eu só queria dormir...

Estou com insônia. O calor ferve meus miolos e não consigo dormir. Fecho os olhos e esse é o gatilho para os meus pensamentos entrarem em completa desordem. Ao som dessa mulher que cai e chora por seu abandono, a faculdade finalmente mostra as caras, alternativas mil surgem parecendo todas serem fáceis e milagrosas, recaídas intercalam-se ao escolher qual dos relacionamentos passados (outrora mortos e enterrados) surgirá para não me deixar dormir de vez, já que essa mistura raiva-saudade-mágoa-carência me deixa mais desperto. Acho que, no fundo, aquela tarde de outubro teve em mim mais efeitos do que eu esperava e só eu não sabia (pra variar). Mas isso não seria suficiente para eu perder o sono, seria?

Meu deus, ela ainda chora e não me deixa dormir! Na verdade ela não me deixa em paz desde terça-feira, quando ao som desse pranto interminável os mesmos pensamentos que me perseguem agora surgiram, junto àquela maldita crise de azia que acompanha cada tentativa de obter tranqüilidade via terapias alternativas. Acho que vou experimentar novas terapias. Acho que vou finalmente experimentar o tal aun. Acho, acho, acho...

Acho mesmo que a culpa é do meu dedão, esse infeliz que agora quer me pregar uma peça e resolveu melhorar. Justo agora que eu curtia o espírito de porco? Já estava lidando tão bem com o fato de que nada pode estar tão ruim que não mereça umas boas risadas. Deve ser a tal sobriedade tomando conta de novo...

Acho - agora sim - que eu preciso de uma cerveja. Quem sabe assim eu não tropeço e machuco o desgraçado novamente?

domingo, 21 de novembro de 2004

Da podridão dos seres

O fato de estar novamente em confinamento nessa encantadora (?) cidadela mexe comigo. Faz com que eu perceba sutilezas antes passadas despercebidas. Faz certos fatos tornarem-se mais claros - ou mais obscuros, dependendo apenas do ponto de vista (leia-se nível alcoólico).

Eu vou perder o dedão do meu pé direito. Ele está realmente podre. Está nojento. Está soltando pele morta o tempo todo. Sem mais pormenores sobre o pobre, mas fazendo uma breve análise sobre eles, acho que o pobre dedo está apenas refletindo uma situação interna. Não só o meu pé, mas eu também estou podre. E não me refiro à quantidade de comida ingerida na festa de casamento à qual me fiz presente ontem, tampouco o esgotamento físico devido à falta de horas de sono. É o meu estado de espírito mesmo. É sobre como me sinto em relação ao fatos ocorridos desde o rompimento definitivo com o velho sistema repressor de espontaneidade. É sobre como me sinto agora que posso sair a caminhar e tropeçar e levantar e continuar a caminhar sem ter que preocupar se tenho que ligar e avisar alguém com quinze dias de antecedência sobre um possível tropeço.

Eu estou podre porque o espírito de porco tomou conta de vez. E eu nunca estive tão feliz!

*procurando por "podre" no Google, só o que obtive foi imagens de inúmeras celebridades, desde Shakira até Paulo Maluf... =-P

sábado, 20 de novembro de 2004

Ei, onde vocês pensam que vão? Han, han!!!

Neurônios, voltem aqui! Deixem-me racionalizar esse momento porque nada parece fazer sentido. Quero conseguir pensar algo concreto, mas tudo o que consigo é pular e me mexer, porque é isso que interessa e isso que me faz feliz nesse momento. Neurônios, não vão embora. Quero vocês aqui comigo para enfrentar o amanhã, quero saber o que esperar do futuro, já que tenho problemas a acertar com a felicidade em pequenas doses em caixas...

Neurônios, não façam assim, eu sempre cuidei tão bem de vocês. Achava que cada caça-palavra, cada cruzadinha fariam vocês felizes, então por que essa revolta? Neurônios, vocês são essenciais na minha vida! Era isso que queriam ouvir? Então falem comigo, porque tudo aqui me assusta e eu me sinto sozinho sem vocês...

domingo, 14 de novembro de 2004

Não é o bastante?

Como se não bastasse o tempo. Como se não bastasse o frio e o calor intercalando-se de forma insalubre, o relógio marcando eloqüentemente cada segundo perdido num tiquetaque desconcertante. Como se não bastassem as tentativas fracassadas de reanimação e experiências frustradas com seres de felicidade em pequenas doses em caixas. Como se não bastasse a falta da minha mãe e de vários outros seres que resolveram sumir e a maldita mania de sempre lembrar do que não deve ser lembrado em horas que se sabe que não vai resolver porra nenhuma mas a gente inisiste em lembrar e lembrar e lembrar. Como se não bastasse o espelho dizendo que não me reconhece (aquele imbecil), mensagens de pessoas que não reconheço e que com certeza não me reconhecem. Como se não bastasse o simples fato de que não consigo ouvir outra coisa senão essa música que me instrui e estimula a fazer coisas que deveriam ignoradas mas que começam a virar possibilidades plausíveis.

Como se não bastasse o tempo, o maldito tempo que passou, eu ainda tinha que receber ligações na madrugada de ex querendo discutir coisas de ex e piorando ainda mais qualquer situação?

I want you to know
He's not coming back
He's bloated and frozen
Still there's no point in letting it go to waste

So knives out
Catch the mouse
Squash his head
Put him in the pot

segunda-feira, 8 de novembro de 2004

Seres onipresentes

Justin Timberlake

Ok, o que foi esse fim de semana? Muitas pessoas de laranja, por toda parte. Só se via pessoas de laranja, e isso era ótimo! A música estava fantástica (Nicos, eu te amo), as pessoas estavam ótimas, os balões, as balinhas, os Martinis Fiero e Hi-Fis... E de repente os balões ficam ainda mais interessantes, e além de dançar freneticamente, todos (inclusive eu) falavam como o porquinho rosa da Xuxa contra o baixo astral... Sim, viva o hélio! Fechamos o bar (botados pra fora, diga-se de passagem), e um bêbado queria nos levar (eu, Gui, Pê, Carol, Ana, Vitrola, Ivo e o "Alfinete") pra casa dele pra fazer companhia pros "filhinhos adotivos" dele, os quais o estavam esperando trazer comida (eram 6 da manhã). Depois de fugir do bêbado - e vagar por muito tempo atrás de comida - decidimos ir até uma padaria, onde estavam três psicólogas discutindo a existência do amor que resolveram fazer uma pesquisa com a gente, perguntando se sexo oral era fundamental. Claro, fugimos!

E quando eu pensava que o fim de semana não poderia ser mais esdrúxulo, eis que me vejo, juntamente com o Nicos e o Gui, na Refugiu's Mega Danceteria! Meu deus, um show de bizarrices! Pistas de dança que tocavam I Will Survive seguidas de pagode e Ivete Sangalo, anões travestis, gente linda, gente horrorosa, seres onipresentes, village people, túnel do terror, dark room, eu completamente bêbado dando em cima de pessoas acompanhadas, abraços coletivos em estátuas empoeiradas e no Justin Timberlake, ações bizarras na pista dance - que, aliás, tinha um disco voador, lasers vermelhos e barras de ferro com drags e go go boys dançando agarrados de forma medonha!

E depois disso tudo eu só queria carinho, cafuné e coisas gostosinhas...

sexta-feira, 5 de novembro de 2004

Nada

Nocturnal Rome: Colonade of St Peter's (M.C.Escher)

Após vasta (e emergencial) atualização do meu rol de obras admiradas, posso dizer com muita certeza de que eu sou nada. Aliás, todos o somos. Ninguém deveria ser considerado gente até que criasse coragem e pusesse pra fora a soma do seu âmago de angústia, prazer e jactância. E quando isso é alcançado - e quando o topo hierárquico desse nada percebe e aprova -, esse ser inanimado terá enfim dado uma prova do merecimento de sua existência. Aí então esse ser, cujo direito de ser chamado de gente foi adquirido, poderá gozar o resto de sua vida - agora menos medíocre - de forma mais serena.

E eu sigo no meu nada.

Socorro, alguma rua que me dê sentido
em qualquer cruzamento
acostamento
encruzilhada
Socorro, eu já não sinto nada